quarta-feira, outubro 14, 2026

MP investiga suspeita de cartel na contratação de médicos em oito cidades do Paraná

Um possível esquema de cartel envolvendo empresas responsáveis pela prestação de serviços médicos em oito municípios do Norte do Paraná está sob investigação do Ministério Público do Paraná (MPPR). 

A apuração envolve suspeitas de direcionamento de contratações públicas, utilização de empresas interpostas, concentração de plantões médicos e atuação coordenada de grupos empresariais que, embora formalmente distintos, poderiam funcionar sob uma mesma estrutura de controle.

A investigação é conduzida pela 26ª Promotoria de Justiça de Londrina e tem como foco o Chamamento Público nº 007/2024 do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (CISMEPAR), responsável pelo credenciamento de empresas para a prestação de plantões médicos em Londrina, Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Sertanópolis, Cafeara, Tamarana e Primeiro de Maio.

O caso teve origem em uma denúncia anônima apresentada em março deste ano. Entretanto, o procedimento avançou depois que o Ministério Público realizou diligências preliminares e identificou coincidências entre informações cadastrais e operacionais de empresas participantes do credenciamento.

Na portaria de instauração do inquérito civil, a Promotoria registra a existência de indícios considerados relevantes de irregularidades, incluindo identidade de sócios, contadores, números de telefone, endereços comerciais e contatos eletrônicos. Para o MP, essas coincidências levantam suspeitas sobre o compartilhamento de estruturas empresariais e o comprometimento da competitividade do procedimento.

Três grupos sob suspeita

A denúncia que deu origem à investigação descreve a possível atuação de três núcleos empresariais identificados como Eixo Equipe/Ohana, Grupo Damasceno e Grupo Nova Medic.

* Empresas de fachada e contratos de gaveta
*  Sorteios de plantões na mira
* Suspeitas também atingem editais municipais


MP identificou coincidências entre empresas

A conversão da notícia de fato em inquérito civil representa um avanço importante na apuração.

Na portaria, a Promotoria registra que as diligências preliminares identificaram coincidências em informações cadastrais e operacionais de empresas participantes do chamamento público, circunstâncias que exigem investigação mais aprofundada.

O Ministério Público pretende examinar se as relações entre prestadoras de serviços médicos comprometeram a independência de sua participação nos credenciamentos e se houve direcionamento na distribuição dos plantões.

A apuração também deverá esclarecer a extensão territorial das possíveis irregularidades e verificar se os fatos relatados ocorreram de forma isolada ou se apresentam características semelhantes em diferentes municípios.

Até o momento, os documentos analisados não permitem estabelecer o valor total dos contratos sob investigação nem apontar eventual prejuízo financeiro comprovado aos cofres públicos.