O Paraná registrou um déficit orçamentário de aproximadamente R$ 4,2 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, conforme os dados apresentados pela Secretaria de Estado da Fazenda durante audiência pública realizada nesta terça-feira (13), na Assembleia Legislativa (Alep).
Ratinho dizia ao CONTRARIO - ?
O resultado negativo, que contrasta com o discurso de equilíbrio fiscal sustentado pelo governo Ratinho Junior, foi um dos principais pontos de questionamento dos deputados durante a prestação de contas referente ao segundo quadrimestre do ano.
A Secretaria da Fazenda reconheceu que as despesas superaram as receitas no período, mas defendeu que o resultado não representa uma situação de descontrole financeiro. Segundo o governo, a diferença decorre principalmente da utilização de recursos acumulados em exercícios anteriores para ampliar os investimentos estaduais, especialmente em obras de infraestrutura.
Durante a audiência, o secretário da Fazenda em exercício explicou que a administração estadual adotou uma política planejada de utilização das reservas financeiras, após anos de formação de caixa. O objetivo, segundo ele, foi transformar parte desses recursos em investimentos, sem comprometer o pagamento das despesas obrigatórias.
“O Estado tem gastado mais do que ele arrecadou em 2026. Isso eu mostrei aqui, ficou cristalino. Isso não é um problema quando é feito de maneira planejada”, afirmou o representante da Fazenda ao responder aos questionamentos dos parlamentares.
Resultado negativo cresce
A evolução do resultado orçamentário foi questionada pelo deputado Tito Barichello, que comparou os números de agosto de 2025 com os apresentados neste ano. Segundo o parlamentar, o déficit passou de aproximadamente R$ 130 milhões para R$ 4,28 bilhões no intervalo de um ano.
A diferença levantou questionamentos sobre o ritmo de crescimento das despesas e a sustentabilidade da política de investimentos adotada pelo Executivo, especialmente diante da proximidade do encerramento do mandato de Ratinho Junior.
O parlamentar cobrou esclarecimentos sobre a disponibilidade financeira efetiva do Estado e os compromissos que ainda precisarão ser honrados até o fim do exercício. Também questionou se o resultado negativo poderia comprometer a situação fiscal a ser encontrada pela próxima administração.
Em resposta, o secretário em exercício afirmou que a redução das reservas é consequência de uma decisão de governo de acelerar os investimentos, e não de dificuldades para custear o funcionamento da máquina pública.
“A gente chegou em um auge, a gente está descapitalizando, a gente está reduzindo um pouco, mas esses recursos estão virando obras, virando investimentos no Estado do Paraná”, declarou.
Fazenda defende uso das reservas
A Secretaria da Fazenda argumentou que o Paraná acumulou recursos financeiros nos últimos anos e passou a utilizá-los de maneira mais intensa para executar investimentos considerados estratégicos.
De janeiro a agosto de 2026, o Estado registrou aproximadamente R$ 7,6 bilhões em investimentos empenhados e R$ 5,56 bilhões liquidados. Segundo os dados apresentados pelo Executivo, o Paraná ocupa a segunda posição nacional em volume de investimentos liquidados, atrás apenas de São Paulo.
A Fazenda sustenta que o resultado orçamentário negativo precisa ser analisado em conjunto com a disponibilidade de caixa e com a origem dos recursos utilizados para financiar as despesas. Isso porque a utilização de superávits financeiros acumulados em anos anteriores permite executar gastos superiores à arrecadação corrente sem necessariamente gerar atrasos ou necessidade de novos empréstimos.
O governo também informou que mantém aproximadamente R$ 8 bilhões em recursos livres, após considerar os compromissos já assumidos, além de cerca de R$ 11 bilhões em recursos vinculados a finalidades específicas.
Para a equipe econômica, esses indicadores demonstram que o Estado conserva capacidade financeira para cumprir suas obrigações, apesar da redução do volume de reservas.
Diferença entre déficit e falta de dinheiro
O déficit orçamentário corresponde à diferença negativa entre as receitas arrecadadas e as despesas executadas em determinado período. Ele não significa, por si só, que o governo esteja sem recursos em caixa ou que tenha deixado de pagar suas obrigações.
No caso do Paraná, a explicação apresentada pela Fazenda é que parte das despesas de 2026 foi financiada com dinheiro acumulado em exercícios anteriores. A estratégia reduz as reservas disponíveis, mas permite ampliar os investimentos sem depender exclusivamente da arrecadação do próprio ano.
A avaliação sobre a sustentabilidade dessa política, entretanto, depende de fatores como a evolução das receitas, o ritmo de execução das despesas e o volume de recursos que permanecerá disponível após o encerramento do exercício.
A Secretaria da Fazenda afirmou que não há registros de atrasos nos pagamentos de fornecedores ou nas obrigações do Estado e reiterou que a utilização das reservas foi planejada.
Transição terá números definitivos no fim do ano
A situação fiscal também foi discutida diante da mudança de governo prevista para janeiro de 2027, quando Sérgio Moro assumirá o Executivo estadual.
Questionado sobre o volume de despesas que poderá permanecer para o próximo exercício, o secretário em exercício afirmou que os números definitivos dependerão do fechamento das contas de 2026, uma vez que parte dos compromissos ainda será executada e paga nos próximos meses.
O representante da Fazenda assegurou que os compromissos formalmente assumidos terão cobertura financeira e que as informações consolidadas serão apresentadas durante o processo de transição.
Assim, embora o déficit de R$ 4,2 bilhões já esteja registrado nos dados do segundo quadrimestre, o impacto da redução das reservas sobre a disponibilidade financeira do Estado ao final do mandato ainda dependerá do resultado dos últimos quatro meses do ano.
A Fazenda mantém a avaliação de que o Paraná encerrará 2026 em condições fiscais favoráveis. Os questionamentos apresentados na Assembleia, por outro lado, colocaram em debate até que ponto o ritmo atual de investimentos poderá ser mantido sem comprometer as reservas acumuladas pelo Estado.
