Guarapuava aparece na lista de 11 municípios visitados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta quinta (13). A Justiça Militar Estadual autorizou 24 mandados de busca e apreensão contra policiais rodoviários estaduais, e as equipes miraram agentes suspeitos de receber propina de transportadoras e madeireiras. Em troca, os PMs livrariam os veículos da fiscalização nas estradas.
Além de Guarapuava, o Gaeco cumpriu mandados em Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Ibaiti, Arapoti, Wenceslau Braz, Joaquim Távora, Curiúva, Sengés e Guapirama. O Núcleo de Ponta Grossa do Ministério Público do Paraná conduz a operação, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Doze policiais rodoviários estaduais perderam as funções operacionais por decisão cautelar. Eles são suspeitos de integrar o esquema. Durante a diligência, a polícia ainda prendeu cinco pessoas em flagrante: quatro por posse irregular de armas e munições, e uma por obstrução da Justiça.
PROPINA MENSAL E BOLETIM ADULTERADOS
O promotor de Justiça Antonio Juliano Souza Albanez explicou que as apurações agora miram também os empresários que bancavam o esquema. "O Ministério Público tem como foco principal a prova do vínculo de outros policiais com organização criminosa e de empresários corruptores."
Conforme as investigações, empresários dos setores de transporte de cargas e de madeira pagavam valores fixos aos policiais para escapar de blitzes nas rodovias estaduais. "Fortes indícios de que a organização criminosa mantinha acordo com empresários do ramo de transporte de cargas e de madeiras, que pagavam mensalmente vantagem indevida aos policiais rodoviários para evitar ações de fiscalização".
Além disso, o Gaeco suspeita de fraude em registros oficiais. De acordo com o promotor, alguns agentes receberam propina para "adulterar informações que deviam constar em boletins de ocorrência de acidentes de trânsito". Assim, as empresas envolvidas se beneficiariam junto ao Detran e a seguradoras.
