segunda-feira, agosto 09, 2021

Morte de garota Kaingang choca maior área indígena do Rio Grande do Sul e líderes se manifestam no Paraná

O corpo dilacerado da indígena Daiane Griá Sales, 14 anos, é um desafio e tanto para a Polícia Civil gaúcha. A jovem, caingangue, foi morta numa região de mata à beira de uma lavoura nas proximidades da Terra Indígena Guarita, no município de Redentora, noroeste do Rio Grande do Sul. Aquela é a maior reserva do estado e vivem ali cerca de 8 mil indios , numa area de 23 mil hectares. Em sua maioria, caingangues, mas também há guaranis.

Foi o movimento de urubus sobre a mata que chamou a atenção de um agricultor, na última quarta-feira (4). Ele encontrou o corpo da jovem, que estava com a parte inferior dilacerada. A identificação foi feita pela mãe, que procurava a garota desde dia 31 de julho.

Daiane saiu de casa num sábado, por volta das 16 horas, para encontrar amigos em uma reunião dançante na Vila São João. A música vinha de carros estacionados ao ar livre, como mostram vídeos obtidos pela Polícia Civil. Depois dessa festa, ela não retornou para casa. A família demorou a registrar o desaparecimento da garota, achando que ela retornaria em breve.

A causa da morte não foi definida, relata o delegado responsável pelo caso, Vilmar Alaídes Schaefer. A perícia concluiu que a parte inferior do corpo de Daiane foi dilacerada por animais, provavelmente urubus, após a morte. O pescoço apresentava marcas de estrangulamento, mas os peritos não encontraram indícios de fratura. Não havia sinais de cortes provocados por armas ou tiros. tudo indica para feminicídio

Não foi possível determinar se houve abuso sexual, embora uma peça íntima estivesse próxima ao corpo. O capim no local estava bastante amassado, o que pode indicar que ela foi obrigada a deitar.

O delegado está convencido de que foi homicídio e não existem, até o momento, sinais de suicídio. Schaefer já ouviu as pessoas que viram a jovem em suas últimas horas de vida e até trabalha com nomes de suspeitos, mas ainda não existem provas.

O cacique Kaingang da Guarita, Carlinhos Alfaiate, afirma que “o culpado vai pagar, não importa quem”. A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) publicou uma nota em redes sociais repudiando a violência contra mulheres indígenas e pedindo justiça pela jovem, qualificando a morte como crime bárbaro. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), também por meio de nota, manifestou indignação pelo caso e pediu que a Funai (Fundação Nacional do Índio) e órgãos de investigação federal promovam ações para coibir violências e responsabilizar autores dos crimes, além de verificar se eles estão vinculados à intolerância e ao racismo contra os povos indígenas.

A Funai informou que acompanha o caso junto às autoridades policiais.

O delegado Schaefer ressalta que não há indícios de que o crime tenha sido cometido contra Daiane pelo fato de ela ser caingangue, já que a festa onde ela se encontrava tinha participação de pessoas de diversas etnias.

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