terça-feira, julho 21, 2026

Mais da metade dos municípios do Paraná não possui estrutura física para enfrentar desastres climáticos.

Resultado preliminar de pesquisa realizada pelo TCE-PR junto às prefeituras paranaenses aponta dificuldades na estruturação da Defesa Civil municipal.

574 desastres ocorreram no Paraná neste ano.

Segundo dados do Sistema Informatizado de Defesa Civil, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), 246 municípios foram afetados — mais da metade dos 399 municípios paranaenses. Ao todo, 292.237 pessoas foram atingidas e 27 mortes foram registradas.

Os municípios estão preparados para enfrentar desastres?

Segundo as respostas aos questionários apresentados pelas 399 prefeituras paranaenses, 68,17% não possuem servidores dedicados exclusivamente às atividades de Defesa Civil e 60,9% não possuem estrutura física de trabalho para a Defesa Civil.

A pesquisa aponta que 60,9% dos municípios não possuem estrutura física de trabalho para a Defesa Civil.

A estrutura considerada inclui sala equipada com mesas e cadeiras, computador de uso exclusivo e acesso à internet. O dado foi destacado pela gerente de Projeto da Coordenadoria de Contas (CCONTAS), Alcione Bertol.

Além disso, 50,68% dos municípios informaram que a Defesa Civil não possui veículo disponível para suas atividades capaz de acessar áreas remotas.

Em 55,64% dos municípios, a Defesa Civil também não possui contato telefônico exclusivo para atendimento ao cidadão.

Já 47,68% não possuem equipamentos para registro fotográfico.

Outro dado preocupante é que 70,93% dos municípios não contam com sistema próprio de alerta de riscos capaz de alcançar toda a população.

Entre os exemplos estão carros de som, megafones, rádios, grupos de WhatsApp e outros sistemas similares.

O levantamento também mostra que 55,14% das prefeituras, em 2025, não avaliaram a eficácia do Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil para o exercício. A pesquisa aponta ainda que boa parte dos municípios sequer possui essa iniciativa.

Os dados foram levantados dentro do eixo de Gestão Ambiental do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (ProGov). A pesquisa foi realizada a partir dos questionários respondidos pelas 399 prefeituras paranaenses.

O ProGov, que está sendo certificado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mede a eficácia das políticas públicas implementadas pelas prefeituras em vários setores.
Neste ano, o programa passou a incluir a questão da prevenção dos desastres climáticos no âmbito dos municípios.

A iniciativa, que é referência nacional no setor, avalia ações das administrações municipais que promovam uma gestão ambiental integrada, abrangendo saneamento básico em seus quatro pilares (água, esgoto, resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais), proteção dos recursos naturais, estruturação da Defesa Civil, prevenção de desastres e enfrentamento das mudanças climáticas.

O objetivo é fortalecer a resiliência e a sustentabilidade do município. A explicação é do coordenador de Contas do TCE-PR, Eduardo Schnorr, unidade técnica à qual está vinculado o programa.

Os resultados preliminares do ProGov mostram desafios na estruturação das Defesas Civis municipais para a prevenção e o enfrentamento de desastres climáticos.

O levantamento busca contribuir para o fortalecimento das políticas públicas, da capacidade de resposta dos municípios e da resiliência diante das mudanças climáticas.