terça-feira, outubro 05, 2021

Novas concessões de pedágio podem atingir a base da economia no Oeste do Paraná

As novas concessões de pedágio no Paraná têm sido motivo de preocupação a quem utiliza vias terrestres para o transporte de mercadorias. Os valores atualmente cobrados impactam nos preços ao consumidor final e geram incertezas a pequenos produtores da região.

Em 2021, das 27 praças de pedágio existentes no Estado, quatro estão localizadas em municípios do Oeste - Cascavel, Corbélia, Céu Azul e São Miguel do Iguaçu. A nova modelagem de concessão de rodovias prevê a instalação de 15 novas praças, totalizando 42 no Paraná. A polêmica criação do pedágio entre Cascavel e Toledo gerou temores aos comerciantes que trafegam no trecho, visto que os custos com despesas logísticas encarecem a produção e reduzem os lucros.

Para o professor Carlos Alberto Piacenti, doutor em economia, quanto mais altos os valores cobrados em rodovias pedagiadas, maior a perda de competitividade no mercado interno. O economista enfatizou que é fundamental o equilíbrio entre os preços praticados nas praças de pedágio e a qualidade das rodovias ofertadas aos contribuintes.

Piacenti destacou que governos anteriores erraram ao limitarem melhorias nas vias, a exemplo das duplicações, como justificativa para o ajuste mínimo nas tarifas dos pedágios - fato que penalizou os usuários ao longo dos anos. A fim de ser mais justo, a isenção do pagamento de pedágios a quem exerce atividade comercial entre municípios próximos seria uma alternativa viável. "Boa parcela dos pequenos produtores atua com vendas de forma direta ao consumidor. Desse modo, eles têm que incorporar os custos ao produto, o que faz perder competitividade e renda", acrescentou o especialista.

De acordo com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), apesar de praticar um dos pedágios mais caros do país, o Paraná apresentou, nos últimos doze meses, aumento no fluxo de veículos em rodovias pedagiadas - sendo 8,2% no fluxo de veículos pesados e 4,3% no de veículos leves. Os crescentes números apontam a importância da malha viária na economia do Estado.

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