A Justiça determinou que o Município de Diamante do Sul, garanta o transporte escolar a um menino de 11 anos que ficou mais de 30 dias sem acesso ao serviço. A decisão liminar foi concedida na última quinta-feira (19), em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).
A medida estabelece que o transporte seja regularizado no prazo de 48 horas, assegurando o deslocamento do estudante até o Colégio Estadual Osório Duque Estrada, no período vespertino. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 300. O processo tramita sob sigilo por envolver menor de idade.
A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Guaraniaçu após a família denunciar que o aluno foi impedido de embarcar no transporte escolar rural.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo na página da 104,9. Nas imagens, o motorista do ônibus impede o menino de subir no coletivo e afirma que o embarque só poderia ocorrer com autorização do prefeito. A situação expôs a criança publicamente e gerou constrangimento, conforme relato da família.
Segundo o pai, o estudante ficou abalado emocionalmente. "Ele ficou muito constrangido, chorou quando foi retirado do ônibus e agora está em acompanhamento psicológico", afirmou.
Antes do episódio, o menino estudava há seis anos no Colégio Estadual Osório Duque Estrada, em Diamante do Sul, utilizando regularmente o transporte escolar do município, sem qualquer intercorrência.
Após o impedimento, diante da impossibilidade de frequentar a escola onde estava matriculado, o estudante precisou ser transferido para o Colégio Estadual Guarani da Estratégica, em Nova Laranjeiras, a mais de 60 quilômetros de distância da residência da família.
A mudança alterou completamente a rotina do menino. Ele passou a sair de casa por volta das 4h30 para chegar às aulas, que começam às 7h30. Como a escola funciona em período integral, o retorno ocorre apenas por volta das 18h. O trajeto inclui longos trechos de estrada de chão.
Antes, o deslocamento levava cerca de 40 minutos por dia, somando ida e volta. Com a transferência, o tempo de viagem aumentou significativamente, exigindo um esforço diário muito maior da criança.
A família também levanta a hipótese de retaliação política como motivação para o corte no transporte. "Depois que participamos de uma reunião política em família e as fotos foram publicadas, o transporte do meu filho foi cortado. Outras crianças que fazem o mesmo trajeto continuam usando o ônibus", relatou o pai.
Apesar da decisão judicial, até esta quarta-feira (25), a situação ainda não havia sido regularizada, e o estudante continuava enfrentando diariamente o trajeto mais longo.
