A forte alta recente do petróleo no mercado externo ampliou a diferença entre os preços dos combustíveis praticados no exterior e aqueles observados no mercado brasileiro. Dados atualizados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indicam que, com o barril acima de cem dólares, o litro da gasolina poderia estar em média 1,22 reais mais caro nas refinarias do país.
No caso do diesel, o espaço para aumento seria ainda maior, chegando a 2,64 reais por litro.
As tensões no mundo também trouxe reflexos imediatos para o mercado brasileiro de diesel importado. Diante da possibilidade de que a Petrobras não acompanhe rapidamente os preços internacionais dos derivados, empresas importadoras optaram por suspender novas compras. A avaliação do setor é que vender o produto no mercado interno poderia se tornar financeiramente inviável se os valores domésticos continuarem distantes do cenário global.
Sem a entrada de combustível vindo do exterior, cresce a preocupação com a oferta disponível no país. A própria Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis afirma que os níveis atuais de estoque seriam suficientes para atender à demanda nacional por aproximadamente 15 dias. O diesel importado representa cerca de um quarto de todo o volume comercializado no Brasil, enquanto o restante é produzido nas refinarias instaladas no país, em grande parte operadas pela Petrobras.
Segundo cálculos da entidade, a diferença entre o preço do diesel vendido pela estatal e o praticado no mercado internacional chegou a cerca de oitenta e cinco por cento, um nível considerado recorde. Essa distância indicaria espaço para um reajuste próximo de 2,64 reais por litro, movimento que poderia gerar efeitos diretos sobre a inflação brasileira. Atualmente, o diesel permanece sem alteração de preço há mais de trezentos dias.
A Petrobras costuma adotar uma estratégia de não repassar de forma imediata a volatilidade do mercado global para os preços internos. A presidente da companhia, já afirmou que a empresa prefere acompanhar o comportamento das cotações por um período antes de decidir por eventuais ajustes, especialmente em momentos de forte instabilidade internacional.
Caso os valores permaneçam sem mudanças por um período prolongado, o ambiente pode desestimular distribuidores e importadores independentes a trazer diesel do exterior. Esse movimento reduziria a oferta disponível no país e ampliaria o risco de dificuldades no abastecimento em determinadas regiões.
