A ampliação do Aeroporto Tancredo Thomas de Faria, anunciada pelo Governo do Paraná nesta sexta-feira (20), em Guarapuava, não depende apenas do investimento estadual de R$ 117 milhões. Para que o projeto avance, o município terá que cumprir uma série de contrapartidas, principalmente relacionadas à reorganização de áreas no entorno do aeroporto, incluindo desapropriações e a realocação de famílias que hoje ocupam terrenos próximos.
Durante coletiva de imprensa, o prefeito Denilson Baitala explicou que a prefeitura ainda está levantando os detalhes dessas contrapartidas e reconheceu que existem desafios internos a serem resolvidos antes do início efetivo das obras.
“Eu não vi ainda o valor da contrapartida”, afirmou.
Apesar da falta de números consolidados, o prefeito detalhou que o município já iniciou tratativas internas para viabilizar a ampliação da estrutura aeroportuária. Entre os principais pontos está a situação de áreas ocupadas irregularmente.
“Mas se há, nós temos outras demandas aqui internas do município para cumprir, porque é uma remodelação total do aeroporto. Então nós estamos já, o secretário Júlio, junto com a executiva e o secretário de Administração, já estão vendo essa logística, porque nós temos problemas internos também na área do aeroporto, que nós temos que resolver”, disse.
Um dos principais entraves citados por Baitala é a existência de ocupações em terrenos que pertencem ao município. Segundo ele, a prefeitura não pretende realizar remoções sem garantir alternativa para as famílias.
“Nós temos até uma invasão de um terreno da prefeitura, que o secretário de Habitação já está vendo outro terreno que nós vamos usar o fundo de habitação, porque também nós não queremos deslocar nenhuma pessoa que está colocada numa área de invasão. Nós vamos locar em outro terreno da Prefeitura Municipal”, afirmou.
Além da situação das famílias, o prefeito também mencionou a necessidade de negociação com proprietários de imóveis localizados nas proximidades do aeroporto. Essas áreas podem ser afetadas pela ampliação da pista e pela reconfiguração da estrutura.
“As desapropriações. Quanto vai custar? Eu não tenho esses números exatos. Mas os técnicos das secretarias já estão negociando com as pessoas que são proprietárias dos imóveis em torno do aeroporto para que tenha a ampliação do aeroporto”, disse.
As declarações indicam que, embora o investimento principal já tenha sido autorizado pelo Estado, a execução do projeto depende de uma etapa complexa no âmbito municipal, envolvendo questões urbanísticas, sociais e jurídicas.
Durante a agenda, o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, destacou a dimensão da obra e o papel do município na viabilização do projeto. Segundo ele, a proposta é resultado de um esforço conjunto entre diferentes atores.
“Isso aqui foi um grande projeto, gestado pela sociedade civil, pela prefeitura, e o governo vem hoje para acreditar no projeto”, afirmou.
A fala reforça que a ampliação do aeroporto não é uma iniciativa isolada do governo estadual, mas resultado de articulação entre poder público e setor produtivo, o que inclui responsabilidades compartilhadas.
Já o governador Ratinho Junior também sinalizou que o projeto envolve uma transformação ampla da estrutura existente, o que explica a necessidade de ajustes no entorno do aeroporto.
“Nós estamos aqui anunciando o repasse de mais de cem milhões para a ampliação do aeroporto, onde vai poder descer avião da Gol, avião da TAM, avião da Azul, vai descer Boeing. Aqui vai ter um pátio para seis Boeings aqui, além do embarque e desembarque, também vai ser revitalizado, ampliado para suportar esse crescimento”, disse.
A fala do governador evidencia a escala da intervenção prevista. Com a ampliação da pista para 1.800 metros e a construção de um novo terminal, a área ocupada pelo aeroporto tende a crescer, o que exige readequações no uso do solo ao redor.
Na prática, isso significa que o avanço das obras dependerá não apenas da liberação de recursos estaduais, mas também da capacidade do município de resolver pendências como regularização fundiária, reassentamento de famílias e negociação com proprietários.
O tema da contrapartida municipal aparece, portanto, como uma etapa decisiva para que o projeto saia do papel e avance para a fase de execução.
