domingo, novembro 21, 2021

Delegado Dr Fabiano Oliveira estima em mais de 100 veículos adulterados em Marmeleiro

A Operação Metamorfose na região Sudoeste do Paraná. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juízo criminal da Comarca de Marmeleiro, após representação do Ministério Público. A ação envolveu mais de 80 policiais civis e militares de toda região em buscas realizadas em endereços empresariais e residenciais. O foco da operação é a investigação de um esquema de receptação qualificada e adulteração de veículos pesados, principalmente reboques e semirreboques, que eram realizados em uma oficina mecânica na cidade de Marmeleiro.

Após a adulteração, os veículos eram vendidos para todo o Brasil, com possibilidade de totalizarem mais de uma centena de veículos pesados. Dos mandados, 16 foram cumpridos em Marmeleiro, dois em Ampere, um em Colombo (PR) e um em Joinville (SC). Durante as buscas foram apreendidos documentos, armas, munições, veículos, dinheiro e outros objetos, que serão analisados pelos peritos, investigadores e outros policiais, na busca de informações sobre o esquema e na identificação de mais pessoas envolvidas. Em dinheiro, a polícia apreendeu R$ 17 mil, além de dois veículos, 140 munições, uma arma de fogo e diversos documentos, celulares e notebooks. Um dos alvos da operação, que possui mandado de prisão, não foi localizado e encontra-se foragido.

O delegado Fabiano Oliveira, titular da Comarca de Marmeleiro, concedeu entrevista ontem falando sobre o esquema. Segundo ele, a quadrilha não apenas receptava veículos roubados e furtados, mas também adulterava e remarcava para serem colocados em circulação novamente. “A informação que nós temos é de que há pelo menos uma centena de veículos em trânsito pelo Brasil afora com essas adulterações que foram feitas aqui em Marmeleiro.”

Como funcionava o esquema

O delegado disse que esses veículos eram subtraídos (furtados ou roubados) em pelo menos três estados, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Segundo ele, possível os veículos eram furtados ou roubados com a carga, que depois era revendida (independente da mercadoria que fosse). “Esses veículos eram trazidos para cá (oficina de Marmeleiro) para terem ali a adulteração dos sinais identificadores, da numeração de chassi, e eram incluídas numerações de veículos em estado regular, geralmente caminhões que tiveram algum tipo de acidente e que ficou inviável o reparo. Então eles iam lá, pegavam a numeração desse veículo que tinha tido perca total.” O delegado Fabiano relata que os veículos danificados eram comprados pela organização unicamente com o interesse de usar a numeração de chassi, que seria “transplantada” para os veículos oriundos de furto ou roubo. Depois, com a numeração quente eles eram comercializados em todo o país por um preço um pouco abaixo do mercado. Já estão apreendidos entre reboques, semirreboques e cavalos mecânicos 41 veículos. As investigações prosseguem com apoio da Polícia Militar e do Gaeco. 

O delegado acredita que muitas pessoas sequer saibam que compraram um veículo adulterado e roubado e estão passíveis até de prisão. “A gente recomenda que as pessoas que fizeram serviços nessas oficinas procurem a polícia para informar a data da aquisição e façam um Boletim de Ocorrência para demonstrar boa fé e vontade de colaborar com a justiça.” Fabiano afirma que a adulteração era tão bem feita que ficava quase impossível de identificar a olho nu, sem que se tenha conhecimento técnico. A empresa está interditada pela Polícia Ambiental por diversos crimes ambientais. “Inclusive hoje (ontem) foram apreendidas tábuas de pinheiro Araucária, pois havia uma mini serraria clandestina no local, além do descarte irregular de resíduos químicos.” Duas pessoas supostamente envolvidas no esquema estão presas em flagrante e outra está foragida.

Apoio na operação

A operação foi deflagrada pela Polícia Civil de Marmeleiro com o apoio das polícias civis de Francisco Beltrão, Cascavel, Pato Branco, Laranjeiras do Sul, Ampere, Realeza e Colombo, do Denarc de Pato Branco, do Núcleo de Operação com Cães da Polícia Civil, do Grupamento de Operações Aéreas, do Gaeco de Francisco Beltrão, do Instituto de Criminalística do Paraná, da Polícia Militar de Marmeleiro, Renascença e Flor da Serra do Sul, da Polícia Militar de Francisco Beltrão, da Polícia Militar Ambiental e da Polícia Civil de Santa Catarina. (Com assessoria).

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