domingo, maio 02, 2021

Paraguaio aproveita real desvalorizado e vai às compras no Brasil.

Comerciante na Varejo Paulista, loja de calçados em Foz do Iguaçu (PR), Nasser Hassan tem trocado o “muito obrigado” pelo “muchas gracias”. Ao mesmo tempo em que o número de turistas brasileiros caiu, ele estima que o movimento de consumidores paraguaios em seu estabelecimento aumentou cerca de 50%, para varejo e atacado, em relação ao ano passado.

“Além de sempre terem preferido os calçados brasileiros, eles começam a sentir que a mercadoria está mais barata. A gente perde por um lado, já que o consumidor brasileiro ficou com menos renda, mas compensa, em partes, com os clientes de fora”, conta.

A desvalorização do real, as incertezas na recuperação da economia e o baque no setor de turismo causado pela pandemia do novo coronavírus têm ajudado a mudar o comportamento de consumidores na fronteira com o Paraguai –e os vizinhos agora aproveitam o câmbio.

Comerciantes de atacados da região também comemoram a maior procura –sobretudo por alimentos não-perecíveis, embutidos, ovos e laticínios– pelo lado brasileiro da fronteira, apesar de a inflação dos alimentos ter pesado durante a pandemia.

Desde o início do ano, a moeda paraguaia, o guarani, se valorizou em relação ao real. No fim de 2020, era preciso ter 1.327 guaranis para trocar por R$ 1. Agora, são necessários 1.200. Em relação ao dólar, o guarani se valorizou 5% desde o começo do ano, enquanto o real caiu cerca de 4%.

De janeiro a abril, mais de 40 mil paraguaios entraram no país, segundo a PF (Polícia Federal), sobretudo em janeiro, que concentrou metade das visitas. Em todos os meses, as saídas de paraguaios superaram as entradas, o que também indica viagens curtas, como idas ao comércio e aos hospitais da fronteira. A PF não informou o número de brasileiros que foram ao Paraguai no mesmo período

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