A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1 milhão em bens de cada um dos sete policiais civis de Londrina, no norte do Paraná, que estão presos suspeitos de desviar parte de uma carga apreendida durante uma operação. A determinação é do juiz Marcos José Vieira, da 1ª Vara da Fazenda Pública, e é de sexta-feira (6).
Os investigadores Almir Batista de Oliveira Filho, André Martinez Sanches, Fábio Edgar Silva, Leonardo Augusto Schauff Petschow, José Márcio Ilkiu, Niovaldo Correa Cardoso e Regner Rodrigo Avancini foram presos em fevereiro durante uma operação da Corregedoria da Polícia Civil.
O grupo de advogados que defende os sete policiais civis informou que não vai se manifestar sobre o bloqueio de bens determinado pela Justiça.
Investigações
De acordo com as investigações, em dezembro de 2019, os policiais presos realizaram uma operação após uma denúncia de que armas e drogas estavam escondidas em uma apartamento.
Durante a ação, os agentes apreenderam produtos contrabandeados do Paraguai, como celulares, perfumes, videogames e outros itens.
Conforme as investigações da Corregedoria da Polícia Civil, o total de material contrabandeado foi avaliado em R$ 450 mil. No entanto, os policiais civis ficaram, ainda de acordo com a investigação, com R$ 402.463,26 do total de produtos apreendidos.
Dois homens que estavam no apartamento foram detidos e levado à delegacia, mas, segundo o Ministério Público, um dos investigadores presos não produziu os autos de prisão em flagrante e não comunicou à Polícia Federal sobre a apreensão.
As investigações afirmam ainda que o agente responsável também omitiu fatos relevantes sobre a operação para beneficiar os outros policiais investigados.
"Não mencionou todos os investigadores que participaram e nem relacionou a totalidade da apreensão", diz um trecho do documento assinado pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina.
Policiais afastados
Os policiais investigados estão presos preventivamente e foram afastados das funções, mas continuam recebendo os salários.
Conforme pedido realizado pelo Ministério Público e aceito pela Justiça, os investigadores foram afastados dos cargos porque há risco de que eles atrapalhem a produção de provas.
Na decisão de indisponibilidade de bens, o juiz também detalha que um dos agentes quebrou um celular no dia que foi preso.
O juiz Marcos José Vieira explica na decisão liminar que o valor de R$ 1 milhão em bens que serão indisponibilizados de cada policial equivale ao valor dos produtos desviados mais multa civil que pode ser de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial.
