O ditado popular “em casa de ferreiro o espeto é de pau” está ganhando novo significado com a senadora paranaense Gleisi Helena Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores.
O braço da Operação Lava-Jato mais adiantado na Justiça Federal de São Paulo pode perder o seu principal réu, o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva (Planejamento e Comunicações), para o Supremo Tribunal Federal.
Na última semana, o Ministério Público Federal em São Paulo manifestou-se a favor do envio ao STF dos autos relativos à Lava-Jato que estão na 6ª Vara Federal. Esse entendimento, de que o processo não deve continuar no estado, une a Procuradoria e a defesa do ex-ministro. As informações são de José Marques o jornal “Folha de S. Paulo”. Enquanto, juntamente com o marido, está pela chamada “bola sete”, Gleisi Helena visitava Lula em Curitiba.
Na opinião dos procuradores, a validade da ação pode ser questionada a qualquer momento pelo STF, já que uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2017 trata dos mesmos temas da ação penal que tramita na Justiça Federal em São Paulo.
A denúncia em questão é a do “quadrilhão do PT”, apresentada em setembro do ano passado pelo então procurador-geral Rodrigo Janot. Entre outras acusações, relata suposto esquema de superfaturamento em um serviço de crédito consignado de funcionários públicos federais —tema central da Custo Brasil.
Desde o início do processo, os advogados de Paulo Bernardo também querem levar o processo ao Supremo. Segundo eles, a Justiça de São Paulo “usurpou a competência do STF”.
No entanto, a advogada Verônica Sterman afirmou que não teve acesso à nova manifestação da Procuradoria. Também não havia decisão judicial sobre o envio da ação penal até o fim da última sexta-feira (11).
Paulo Bernardo comandou ministérios nos governos Lula e Dilma e responde pelas acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção no âmbito da Operação Custo Brasil, desdobramento da Operação Pixuleco 2, décima oitava fase da Lava-Jato.
