Foi preso na manhã desta sexta-feira (12) o suspeito de matar o professor indígena Marcondes Nambla, de 36 anos, espancado em Penha (SC) na madrugada do dia 1º de janeiro.
Segundo o delegado-geral adjunto da Polícia Civil em Santa Catarina, Marcos Ghizoni, Gilmar César de Lima, de 23 anos teria confessado o crime após ser localizado na casa de familiares após oito mandados de busca.
De acordo com o delegado Douglas Barroco, no interrogatório, logo depois de detido, o acusado confirmou a linha traçada pela investigação, que é chamada de "motivo fútil". “Ele alegou que a vítima mexeu com seu cachorro”, afirma.
Essa versão não é aceita pelas lideranças indígenas do Estado, que culpam o preconceito pelo crime. Namblá, que era professor na escola da reserva indígena de José Boiteux e estava em Penha para ganhar um dinheiro extra vendendo sorvetes, foi morto a pauladas de maneira cruel e fútil, segundo eles, porque era indígena.
O professor seria vítima de uma onda de intolerância, que atinge todas as etnias indígenas do Estado, rejeitadas ao recorrerem às cidades em busca de trabalho, da venda de artesanato e até do compartilhamento dos espaços de lazer, ao qual eles também têm direito como cidadãos.
Namblá foi encontrado ainda com vida, no centro de Penha, depois de atingido por uma sequência de golpes com um pedaço de madeira. Câmeras de segurança da região ajudaram a identificar Lima, que nas imagens, depois de atingir Namblá várias vezes, ainda retorna ao perceber que ele ainda estava se mexendo.
