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| Cláudio Dalledone Júnior |
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Paraná, divulgou esta semana na imprensa estadual um balanço do número de mortes em confrontos entre a polícia e bandidos no ano de 2017. O levantamento, oportuno e de suma importância para o conhecimento da sociedade, aponta que no ano passado, 275 suspeitos foram mortos após trocarem tiros com policiais. O destaque dado na mídia foi à média de uma morte em confronto a cada 31 horas.
Você pode analisar este dado sob dois prismas. O primeiro, enfatizando uma preocupação com o bem estar dos suspeitos, também conhecidos como marginais, levantando toda aquela questão da “vítima” do sistema e da sociedade que decide roubar e matar por “não ter outra opção”. Ou você pode entender que a polícia do Paraná não está matando, mas sim trabalhando e respondendo a altura à ousadia e a periculosidade de marginais que barbarizam, agridem e ceifam vidas em nossa sociedade todos os dias.
Eu prefiro acreditar na segunda opção. É claro que temos um contexto social como pano de fundo. Porém, minha experiência como criminalista, como advogado que há décadas trabalha nas trincheiras da defesa, mostra que entre aqueles que no desespero viram no crime a última fronteira, dificilmente você encontrará um assassino, um torturador, um latrocida, um estuprador, um agressor em potencial. Você dificilmente encontrará um cidadão que, no desespero mais profundo de seu desamparo, atirou contra um pai de família, um jovem trabalhador, um estudante, muito menos contra um policial. Você não encontrará entre esses desafortunados, um indivíduo degenerado, violento, sádico. Não! Desamparo e banditismo são duas coisas distintas, algo para se falar em outro momento e que claro, merece toda a atenção.
O raciocínio deste texto, no entanto, não visa pregar a ideia de que “bandido bom, é bandido morto”. Quem propaga isso, ou está agindo de má fé, ou é desinformado e carece de estudo e conhecimento. A discussão aqui é sobre o trabalho, o bom trabalho de um policial. Policial bom é aquele que trabalha para proteger a sociedade, o cidadão. Policial bom é o policial que persegue bandido nas madrugadas frias de inverno, enquanto o cidadão dorme em segurança no conforto do seu lar. Policial bom é aquele que, quando recebido à bala por marginais que estão barbarizando a sociedade, revida, imobiliza, prende, ou mata o criminoso agressor. Policial bom volta vivo para sua casa, para que no dia seguinte esteja nas ruas, protegendo as famílias do nosso estado.
A polícia do Paraná matou um suspeito a cada 31 horas, em 2017. Essa é a notícia. A maioria das ocorrências está ligada a policiais Militares, homens que estão na linha de frente no combate a criminalidade, funcionando de forma operacional no enfrentamento ao crime que apavora a sociedade. Mas qual é a realidade que está por trás do levantamento, do número, do papel? É isso que precisamos avaliar também. Alguns relatos recentes dos noticiários me chamaram atenção e refletem bem a realidade que esses policiais vivem no seu dia a dia. Acima de tudo, ilustram, dão vida e voz ao que os números transformam em estatística.
Na semana passada, a casa de um delegado foi invadida por quatro marginais, no bairro do Boqueirão, em Curitiba. A quadrilha aterrorizou a família, que feita refém, só foi libertada após o grupo fugir levando dois carros da garagem. A Ronda Ostensiva de Natureza Especial (RONE) foi acionada e uma intensa perseguição teve início. Em São José dos Pinhais, os dois carros foram abandonados, e os quatro marginais fugiram a pé, todos armados. Um deles invadiu a casa de uma família. Todos dormiam no momento.
Um policial da RONE entrou na casa e, antes de tudo, avisou o dono da casa do perigo iminente, para então seguir para os fundos do imóvel. Foi recebido a bala pelo assaltante, que escondido em uma edícula, atrás de uma geladeira, atirou para matar o policial e assim poder fugir. O policial revidou e o marginal foi ferido fatalmente.
Percebam que quatro marginais aterrorizaram duas famílias, uma região inteira, colocaram a vida de centenas de pessoas em risco durante a perseguição e um deles ainda tentou matar um policial. Morreu em confronto e vai virar estatística para 2018.
A polícia Militar, a polícia Civil, as forças de segurança municipais, estaduais e nacionais, são a única barreira entra a sociedade e o crime organizado. Por isso, enalteço o levantamento feito pelo GAECO, mapeamento esse que nos mostra que a polícia do Paraná não mata, mas sim trabalha para se defender e proteger o cidadão do crime organizado.


