terça-feira, 3 de novembro de 2020

Pesquisa revela que brasileiros querem energia limpa e barata

Dados de uma pesquisa do IBOPE divulgada no mês passado mostra que 84% dos brasileiros consideram a energia elétrica cara ou muito cara. Encomendada pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia a pesquisa ouviu 2 mil pessoas em todas as regiões do país, entre 24 de março e 1º de abril. Mas apenas 17% dariam preferência à produção de energia de fontes renováveis.

Em 2014 – que foi o primeiro ano de realização da pesquisa – este percentual que achava energia cara era apenas de 67%, atingindo 88% em 2014 (88%) e em 2019 chegou aos 87%. Dentre os entrevistados, 55% acham que o alto preço é causado pelos impostos, enquanto 28% acreditam que pela falta de concorrência no setor.

Custos de geração diferentes para cada fonte

Para o consultor em energia Ivo Pugnaloni, diretor da ENERCONS, empresa especializada em orientar indústrias na sua migração para o ambiente de livre contratação de energia por meio de leilões reversos de compra, a pesquisa poderia ter separado os consumidores entrevistados nas categorias industrial, residencial, comercial e rural, pois cada uma paga preços bastantes diferentes.

“Essa distinção seria muito importante, pois mostraria o grau de informação de cada segmento, já que temos 18 milhões de consumidores pessoa jurídica e 72 milhões de pessoas físicas, mas a maioria nem sabe o custo relativo de cada fonte nem mesmo que existe um mercado livre que pode oferecer descontos de até 30 de economia”, explica.

“Por exemplo: a pesquisa mostra que para 83% dos entrevistados, as duas maiores causas para a energia ser cara no Brasil são apenas os impostos e a falta de concorrência. Mas a pesquisa desconsiderou que no mercado livre pode haver uma concorrência muito maior ainda mais através de plataformas eletrônicas de leilão on-line. A pesquisa, na forma como foi revelada, dá a impressão de que todas as fontes de energia custam a mesma coisa para ser produzida, o que não é verdade. Nem que cada comercializadora e cada geradora pratica um preço diferente, conforme perceba que existem realmente outros vendedores, como acontece num leilão reverso de energia. 

As hidrelétricas por exemplo, apresentam os menores custos de todas e as termoelétricas movidas a combustíveis fósseis e derivados de petróleo, como o gás, o óleo diesel, carvão tem o maior custo entre as demais, cerca de sete a oito vezes maior”, diz o engenheiro da ENERCONS, empresa que promove leilões para seus clientes comprarem energia pelo menor preço, diretamente dos geradores e das comercializadoras.

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