segunda-feira, 13 de julho de 2020

Deputado Ricardo Barros critica STF por manter Nelson Meurer na prisão

O deputado federal paranaense e ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), criticou ontem o Supremo Tribunal Federal por negar prisão domiciliar para o ex-deputado federal Nelson Meurer (PP), que morreu ontem após contrair o Covid-19, e estava preso desde 2019, condenado por corrupção no âmbito da operação Lava Jato. 

“Nelson Meurer faleceu . Aos 78 anos de Covid adquirida no presídio. No grupo de risco, Meurer não conseguiu prisão domiciliar negada seguidamente pelo ministro do STF Edson Fachin”, escreveu Barros no twitter. “Ativismo político do judiciário tem que acabar. Lei igual para todos”, defendeu o parlamentar.

Meurer foi deputado por seis mandatos e era do PP, partido do ex-ministro. Internado desde o meio da semana por causa da Covid-19, o ex-deputado morreu ontem, aos 77 anos. O ex-parlamentar estava internado em um hospital de Francisco Beltrão.

Primeiro político a ser condenado pela Operação Lava Jato, por crimes cometidos entre 2006 e 2014, Meurer estava cumprindo atualmente uma pena de 13 anos, 9 meses e 10 dias de prisão na Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão, em regime fechado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em abril, em meio à pandemia do novo coronavírus, a defesa de Meurer entrou com recurso no Supremo para que ele cumprisse o restante da pena em prisão domiciliar, alegando que ele estava no grupo de risco por ser idoso, ter diabetes e cardiopatias. Fachin negou o pedido, afirmando que não havia superlotação na penitenciária nem outros presos contaminados.

Neste domingo, o advogado Michel Saliba lamentou a decisão de Fachin: "Ele (Meurer) não teria a menor condição de sobreviver naquele presídio, mesmo antes do coronavírus."

Nascido em 23 de julho de 1942 em Bom Retiro (SC), Meurer era ligado ao setor agropecuário. Nos anos 1990, presidiu o sindicato dos produtores rurais de Francisco Beltrão (PR), município que administrou de 1989 a 1993. Em 1995, ganhou eleição para o primeiro de seis mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, pelo . Em 2018, já condenado pelo Supremo, não se candidatou.

Apesar de passar 24 anos na Câmara dos Deputados, Meurer teve uma atuação discreta em plenário. Em 2016, votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff: "Pela minha família, pelo meu querido município de Francisco Beltrão, pelo meu querido sudoeste do Paraná e pelos meus eleitores de meu Estado, eu voto sim", disse, na ocasião.

Meses depois, foi um dos nove parlamentares um dos nove parlamentares do Conselho de Ética que votaram contra a cassação do mandato do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (MDB-RJ), também condenado e preso na Lava Jato. Em 2017, votou contra enviar denúncias da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Michel Temer ao Supremo.

A prefeitura de Francisco Beltrão emitiu nota de pesar pela morte de Meurer. "Além de reconhecer o seu trabalho em prol de Francisco Beltrão, deseja força para a família. O prefeito Cleber Fontana decretou luto oficial no município", diz nota publicada na página oficial da prefeitura.

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