quarta-feira, 10 de junho de 2020

Dezenas de araucárias são derrubadas em Campo Largo - VEJA VÍDEO

Empresa de transmissão de energia destruiu 90 árvores nativas. Projeto, ironicamente chamado de Gralha Azul, pode ter impacto em áreas de proteção ambiental e reservas particulares no Paraná

           
“O supervisor me falou que já abateram muitas araucárias. E cada propriedade é numerada. A nossa é a de número 100. Teve lugar em que foram abatidas quase 100 araucárias em uma única propriedade. Já pensou?”, indigna-se o agrofloresteiro Leandro Schepiura. 

A fala é recente. O crime, também. Era fim de maio, período de reprodução da semente da árvore-símbolo do Paraná, quando cerca de 90 araucárias em plena produção foram abatidas em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.

O responsável tem nome: Gralha Azul. Não a ave-símbolo do Paraná – uma das espécies dispersoras do pinhão – mas o projeto da Engie Ltda

A empresa venceu um leilão federal para a instalação de mais de mil quilômetros de linhas de transmissão de energia, passando por 24 municípios paranaenses.

Leandro foi surpreendido, em 27 de maio, por um cenário de destruição quando chegou na propriedade que aluga para plantar alimentos orgânicos. Eram araucárias centenárias estiradas no chão, parte do pomar e da horta esmagadas pelo peso dos pinheiros e a cerca viva – que protegia a produção de contaminação pelos agrotóxicos dos vizinhos – roçada.

“Simplesmente, de um dia pro outro, entraram no espaço e derrubaram as araucárias em período de produção, sendo que é proibido por lei. E roçaram a cerca-viva, que é uma exigência, porque a gente é certificado orgânico. Então, agora estamos correndo o risco de perder o certificado por causa deles”, reclama o agricultor. Segundo ele, o dono da área autorizou a entrada dos funcionários da empresa e não avisou os arrendatários.

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