terça-feira, 5 de novembro de 2019

Deputado pede afastamento do presidente da Copel Telecom

Em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta segunda-feira (4), o deputado estadual Soldado Fruet (PROS) pediu à Copel Holding o afastamento do presidente da Copel Telecom, Wendell Alexandre Paes de Andrade de Oliveira, “não apenas pela ética, mas pelo bem da empresa”. Segundo o deputado, o atual governo nunca escondeu que pretende vender a subsidiária e o motivo do pedido de afastamento é o contrato social da empresa Priori Participações Societárias e Empreendimentos Ltda., cujos sócios são o presidente da Copel Telecom e o ex-conselheiro da empresa e ex-diretor da Copel, Fabio Malina Losso.

“Me chama a atenção que a empresa tem, entre outros objetos sociais, a prestação de serviços de consultoria e assessoria a empresas e negócios nacionais e internacionais. Espero que não estejam assessorando interessados na compra da Copel Telecom, porque do jeito que estão administrando a empresa, ela será vendida por um preço ínfimo, porém, será entregue ao comprador um patrimônio valiosíssimo e um mercado represado pela ineficiência no atendimento ao cliente implantado pela atual gestão”, pontuou.

O Soldado Fruet destacou que a Copel Telecom é dona de extensa rede de fibra ótica que atinge os 399 municípios do Paraná, “patrimônio de valor incalculável para o Estado, pois o futuro está na internet”. “Ao longo dos anos, a Copel investiu milhões nessa rede e, agora que está estruturada, pode ser vendida a qualquer momento”, ressaltou. “Há três anos, a Copel Telecom valia entre R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões. No final do último ano, seu valor de mercado oscilava em torno de R$ 1,5 bilhão, mas pelo andar da carruagem, hoje a Copel Telecom não vale nem R$ 800 milhões e pela péssima forma como vem sendo administrada, até sua venda não valerá nem R$ 500 milhões”, indicou.

Desmonte - A preocupação do líder da bancada do PROS é evitar o desmonte da Copel, a maior empresa do Paraná e a quarta maior do Sul do País, com faturamento de mais de R$ 14 bilhões e lucro superior a R$ 1,4 bilhão em 2018. O Soldado Fruet enfatizou que a Copel, formada por cinco subsidiárias (Geração e Transmissão, Distribuição, Comercialização, Renováveis e Telecom), pode ser vendida a qualquer momento e sem autorização da Alep, conforme decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para evitar o desmonte da Copel, o Soldado Fruet pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) obrigando o Estado a pedir autorização legislativa para venda das subsidiárias da Copel.

"Precisamos proteger o patrimônio do povo paranaense e apenas nós, deputados, eleitos para representar o povo, podemos em nome do povo paranaense, autorizar que o governo se desfaça de seu patrimônio”, salientou.

O Soldado Fruet enfatizou que, ao contrário das operadoras privadas, apenas a Copel Telecom mantém o interesse social de levar internet às pequenas cidades paranaenses. “Os governos falam em democratizar a internet, mas aqui, estamos indo em sentido contrário”, criticou.

De olho - O parlamentar lembrou que, recentemente, pela primeira vez na história da Telecom o sistema apresentou um bug e deixou todos os usuários paranaenses sem acesso à internet. “É muita coincidência, parece até proposital. Parece que a intenção é baixar a qualidade para que os clientes pensem que a privatização da Telecom é uma boa ideia”, comentou, recordando exemplos malsucedidos de privatizações no Estado, como as rodovias entregues às concessionárias de pedágio ou o banco paranaense Bamerindus, vendido por um dólar ao HSBC, que há pouco tempo o revendeu ao Bradesco por mais de US$ 7 bilhões.

O Soldado Fruet disse que está atento às movimentações internas da Copel, “apesar de a empresa ser uma caixa-preta que esconde até os salários de seus executivos, na contramão da prática adotada pelas grandes empresas e recomendada pela CVM”. Revelou ainda a criação de duas novas diretorias na Copel Geração e Transmissão, cargos com altos salários que não precisam de autorização legislativa. "Estamos de olho, não permitiremos que se acabe com a Copel, assim como acabaram com o Banestado. Eu e vários colegas não permitiremos isso”, concluiu o Soldado Fruet.

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