domingo, 13 de janeiro de 2019

MPF pede condenação de Rocha Loures

O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação do ex-deputado federal e ex-assessor do ex-presidente do Brasil Michel Temer, o paranaense Rodrigo da Rocha Loures.

Conhecido como o “Homem da Mala”, por ter sido flagrado com uma mala contendo cerca de R$ 500 mil, oriundos de propina “paga” pela JBS, Rocha Loures é réu em processo por corrupção.

A Procuradoria da República no Distrito Federal entende que o ex-deputado teria recebido dinheiro como intermediário de Temer para beneficiar o grupo em medidas no âmbito do Executivo Federal. Essa seria apenas uma parte do valor que teria sido combinado entre as partes envolvidas. Segundo o procurador federal Carlos Henrique Martins Lima, autor da peça, “constituiu o pagamento pelas intervenções do réu junto a organizações ligadas ao Estado e representou parte de um montante que poderia atingir o patamar de R$ 38 milhões”.

Há registro em vídeo mostrando o momento em que a mala foi entregue ao emissário de Temer. O ex-presidente nega qualquer envolvimento no caso.

De acordo com a Agência Brasil, o repasse teria como finalidade garantir ao conglomerado benefícios em uma questão com a Petrobras envolvendo preços de gás. Nas alegações finais, o procurador destaca que Rocha Loures atuou em cargos próximos ao ex-presidente, como na chefia da assessoria parlamentar da Vice-Presidência da República quando Temer ocupava o cargo.

Segundo o MPF, a relação de Temer com Joesley Batista, dirigente da JBS, vem “de longa data”. Os dois interagiam diretamente, mas após a chegada de Temer à Presidência, Rocha Loures teria assumido a condição de intermediário.

“A indicação de Rodrigo Loures ocorreu por interesse de Joesley Batista e sob o aval de Michel Temer, atendendo à necessidade de manutenção de canal de comunicação direto e confidencial, capaz de projetar a autoridade da Presidência para a intervenção não republicana em organizações da estrutura estatal, aos interesses escusos de Joesley Batista”, escreveu o procurador.

Na avaliação dos procuradores, embora Rocha Loures tenha argumentado que não sabia do que se tratava e que os valores eram propina, seu comportamento no episódio do repasse da valise indicou prévio conhecimento. Loures “em nenhum momento esboça estranhamento ou questiona aquilo que poderia ser um mal entendido. Ao contrário, observa-se que os diálogos fluem normalmente com a participação do réu, que aparenta entrosamento e domínio do assunto”, registra o MPF.

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